O Botafogo é bem mais que um clube,
é uma predestinação celestial.

(Armando Nogueira)

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Curiosidades

A maior goleada do futebol brasileiro pertence ao Botafogo, no dia 30/05/1909 em partida válida pelo campeonato carioca do ano corrente "O Glorioso" (que ainda não possuía esta alcunha) venceu o rubro-negro Mangueira -o clube não possui qualquer ligação com a escola de samba- por 24x0, um detalhe interessante é o fato de que no intervalo o alvinegro vencia por "apenas" 9x0.

 

A maior goleada em clássicos cariocas também pertence ao Botafogo, no dia 29/05/1927 em partida também válida pelo campeonato carioca o alvinegro venceu por 9x2 o Flamengo. Com 4 gols de Nilo, 2 de Ariza e Joãozinho e um de Neco pelo Botafogo, pelo lado rubro-negro Moderato e Frederico descontaram.

 

A maior goleada em finais do carioca também pertence ao Botafogo, no dia 22/12/1957 O Glorioso deu um grande presente de natal à sua torcida ao vencer o Fluminense por 6x2 com cinco gols de Paulinho Valentim e um de Garrincha.

 

O Botafogo tem como mascote o Manequinho porque após a conquista do campeonato carioca de 1957, Didi tornou a repetir um gesto espontâneo de um torcedor em 1948, quando vestiu o Manequinho com a camisa alvinegra. Didi prometera, caso fosse campeão, ir do Maracanã para casa a pé. E assim fez, vestindo o Manequinho na passagem pela praia de Botafogo, local onde a estátua se encontrava à época. Então, tornou-se tradição vestir o Manequinho de cada vez que o Botafogo é campeão.

 

O Botafogo é o clube brasileiro com mais representantes no maior evento futebolístico do mundo: A Copa do Mundo. Com a confirmação de El Loco Abreu, o Alvinegro detém nada menos que 47 convocações.

 

Em 1962, além de ser base da seleção bi-campeã mundial e também ser bi-campeão carioca em cima do Flamengo com um show de Garrincha, o Botafogo de Futebol e Regatas conquistou a incrível marca de 120 títulos em um único ano nas mais diversas modalidades. Em reconhecimento da excelente marca o Comitê Olímpico Internacional atribuiu ao Botafogo o título de "Campeão de Terra, Mar e Ar" em virtude de ser a entidade esportiva que conquistou títulos em todas as categorias que disptou no ano, sendo campeão do Futebol ao Xadrez, passando por aeromodelismo e basquete.

 

O Botafogo é o clube com maior sequência de artilheiros na história do Campeonato Estadual no século XX: 5 vezes. Paulo Valentim (1957, 22 gols), Quarentinha (1958, 20 gols; 1959, 25 gols; 1960, 25 gols) e Amarildo (1961, 18 gols).

 

O Botafogo é co-recordista, com o Flamengo, de invencibilidade no Brasil, em futebol, com 52 jogos sem perder durante dez meses entre 16/10/1977 e 16/7/1978, e detém o recorde absoluto de invencibilidade em campeonatos brasileiros com 42 jogos invicto (25 vitórias e 17 empates). A campanha da invencibilidade no Campeonato Brasileiro foi a seguinte: em 1977 – 0x0 Vila Nova, 1x0 Brasília, 3x1 Goiás, 1x1 Goytacaz, 3x1 Atlético-PR, 3x0 Americano, 0x0 Vasco da Gama, 3x0 Londrina, 1x0 Goiânia, 2x2 Botafogo-SP, 1x1 Operário, 1x0 Fluminense-RJ, 3x1 CSA, 0x0 Bahia, 2x0 América-RN, 0x0 Atlético-MG, 3x0 Cruzeiro, 3x1 Fast; em 1978 – 2x0 Itabuna, 1x1 Bahia, 5x1 Sergipe, 1x0 Volta Redonda, 1x0 Ponte Preta, 0x0 Vasco da Gama, 3x0 Vitória, 1x0 Confiança, 0x0 CSA, 1x0 CRB, 1x1 Guarani, 2x0 América-RJ, 1x1 Flamengo-RJ, 2x2 Botafogo-SP, 2x1 Corinthians, 0x0 Operário/CG, 2x1 Sport, 3x0 Comercial-SP, 3x0 Juventude, 1x1 Flamengo-RJ, 3x1 América-RJ, 0x0 Coritiba, 1x1 Noroeste, 2x1 Palmeiras. Renato Sá foi o ‘carrasco’ que interrompeu as duas marcas de 52 jogos invencíveis do Botafogo e do Flamengo: primeiro, jogando pelo Grémio, marcou dois gols na vitória de 3x2 contra o Botafogo; depois, anos mais tarde, jogando pelo próprio Botafogo, fez o gol da vitória por 1x0 contra o Flamengo.

 

O Botafogo viu o torcedor e cantor Agnaldo Timóteo invadir o campo e interromper uma partida para ensinar um “pereba” a bater penalty em 1984.

 

Em 1997 o Botafogo foi campeão com 100% de aproveitamento na Taça Guanabara, 12 jogos e 12 vitórias. Vencendo inclusive o aclamado time do Flamengo de Sávio e Romário utilizando apenas os jogadores - e até mesmo o técnico- reservas.

 

O Botafogo, em jogo contra o Flamengo no início dos anos de 1950, foi o protagonista da “roda de bobo” quando Nílton Santos olhou para Aristóbulo e Dequinha, jogadores do rival a quem alcunhava de “cabeçudos”, e incitou os companheiros a colocarem-nos na roda. Os dois entraram e nasceu, assim, a “roda de bobo”.

 

O Club de Regatas Botafogo foi o primeiro campeão brasileiro em qualquer modalidade desportiva ao conquistar, em 1902, o campeonato brasileiro de remo, disputado em canoa, na distância de 1.000 metros, vencido pelo atleta António Mendes de Oliveira Castro Filho no lendário barco botafoguense ‘Diva’ que venceu as 22 regatas que disputou.

 

O Botafogo passou a ser designado por 'O Glorioso' após ser campeão de futebol do Rio de Janeiro em 1910 com goleadas sucessivas.

Botafogo é o clube com a maior média de gols marcados em um campeonato carioca: 6,6 gols marcados por jogo em 1910, sagrando-se campeão.

Mimi Sodré, artilheiro dos campeonatos cariocas de 1912 e 1913, foi considerado o mais honesto craque do futebol brasileiro, porque atuando pelo escrete militar brasileiro contra o Chile, Mimi pediu ao juiz que anulasse um gol seu num lance em que a bola lhe batera na mão e entrara no gol.

 

O mesmo sucedeu com Nilo, o fabuloso goleador botafoguense dos anos 30, durante um jogo contra o Flamengo, em Agosto de 1928, no campo do Payssandu. Nilo cruzou da extrema na cabeça de Juca que nem teve tempo de comemorar o gol, porque o autor do passe comunicou ao árbitro que a bola saíra antes pela linha de fundo.

 

A expressão ‘cartola’ entrou no léxico futebolístico através do Botafogo. Em 1917, na ânsia de receber à inglesa a equipa uruguaia do Dublin, os dirigentes botafoguenses apresentaram-se em General Severiano vestidos ao estilo dos políticos da República Velha, de fraque e cartola. A imprensa desportiva não perdoou a situação e alcunhou-os de 'cartolas'.

 

O Botafogo é o clube que, além de possuir a melhor média de gols em 1910, detém o recorde de gols em Campeonatos Estaduais: fez 91 gols em 1940.

 

O Botafogo é um dos poucos clubes do mundo que inclui no seu hino o verbo perder – “não podes perder, perder pra ninguém” – e que não possui as suas iniciais nem no escudo nem na bandeira, predominando assim a Estrela Solitária desde 1942.

 

Mário Filho descreve do seguinte modo um gol de Heleno de Freitas contra o Flamengo: “Heleno estava na linha da chamada grande área, de costas para o gol. Parou com a bola no peito, virou-se, com ela ainda no peito, e viu a área cheia de flamengos, o gol lá no fundo. Se deixasse cair a bola no cão teria de travar combate com vários adversários, que já o cercavam, esperando justamente que ele fizesse o que qualquer um faria. Heleno de Freitas, então, curvou-se um pouco para trás, empinando o peito, deixando a bola onde estava e avançou assim, com ela no peito. Ninguém podia fazer nada contra ele. Se lhe quisessem tirar a bola, pará-lo, travá-lo, era pênalti. Perto do gol, Heleno de Freitas deixou a bola cair e fuzilou o gol do Flamengo”.

 

Carlito Rocha, que viria a ser Presidente do Botafogo e o seu mais supersticioso torcedor, estava doente no dia do jogo. Então, pincelou o peito com iodo, tragou um cálice de vinho do Porto, fez o sinal da cruz e entrou em campo gripado e com 40º de febre, além da existência pública da gripe espanhola que obrigou à suspensão do próprio campeonato carioca. Debaixo de uma tempestade monumental, Carlito quase morreu de pneumonia, mas defendeu as cores da sua paixão.

 

Flávio Ramos, contemporâneo de Mimi Sodré e cuja família é dona da carteira nº 1 do Botafogo, assistia nos anos 30 a um desafio entre o Botafogo e o América quando o atacante alvinegro Álvaro fez uma falta violentíssima num jogador do América. Flávio levantou-se da arquibancada e gritou para o juiz o expulsar. Álvaro não gostou, baixou as calças em protesto e Flávio entrou em campo e deu-lhe uma 'sã' bofetada.

 

O Botafogo inaugurou em 1938 o campo de General Severiano, considerado o mais lindo da época, com representantes estaduais colocando no campo um pouco de terra de todos os Estados do Brasil.

 

Garrincha

Garrincha foi o criador do fair play, durante o jogo Botafogo x Fluminense de 27 de Março de 1960: Pinheiro foi rebater uma bola e estourou um músculo, a bola sobrou para Garrincha que invadiu a área e podia fazer o gol, mas viu Pinheiro caído e, tranquilamente, como se fizesse a coisa mais natural do mundo, atirou a bola para fora. Era um Gandhi do futebol florescendo, subitamente, em meio ao incêndio das paixões de um jogo. Altair, quando foi bater o arremesso, compreendeu que tinha de retribuir. E foi do Botafogo a bola, dando início a uma tradição brasileira, que ganhou o mundo.

 

Numa partida contra o Vasco da Gama, Garrincha iniciou um ataque fulminante, deixando Bellini, Orlando e Coronel para trás e seguiu rapidamente para a meta vascaína. O juiz Amílcar Ferreira tentou acompanhar a jogada, mas Garrincha parou bruscamente, girou e seguiu noutra direção. O árbitro enrolou-se nas próprias pernas e caiu no gramado, tal e qual um "João", com o público em delírio. Quando passou por Garrincha na jogada seguinte deu bronca: “Mais respeito comigo. Se me der outro drible destes, te boto pra fora”.

 

Em excursão na América latina, deu um ‘baile’ em Gambetta, o grande lateral argentino conhecido como ‘El Campin’. Numa disputa de bola junto à linha lateral, Garrincha driblou seguidamente Gambetta. Este caía, levantava-se e caía de novo a cada drible. Seria driblado até morrer, mas não desistiria. Em pleno combate, os dois saíram sem querer pela lateral e os dribles continuaram no relvado ao lado do campo. O juiz e o bandeirinha podem ter visto, mas não ousaram interromper a beleza do lance. A jogada só foi paralisada pelo apito do juiz quando os dois já estavam no asfalto em volta do campo – ali estava a quintessência do futebol.

 

Adaptado ao futebol em 1958, o “olé!” nasceu num jogo entre o Botafogo e o River Plate, num jogo disputado na Cidade do México. Deveu-se ao “olé” de Garrincha a Vairo. Sempre que Garrincha parava na frente de Vairo os espectadores mantinham-se no mais profundo silêncio. Quando Garrincha dava o famoso drible e deixava Vairo sentado no chão, um coro de cem mil pessoas exclamava: “Ô ô ô ô ô-lê!”. Num desses momentos, um dos clarins dos mariaches atacou o trecho de Cármen que é tocado na abertura das touradas. O estádio quase foi abaixo. O treinador tirou Vairo de campo para evitar o gozo e, rindo, Vairo exclamava: “No hay nada que hacer. Imposible!” O “Jarrito de Oro” votado e entregue no dia seguinte ao melhor jogador do torneio, naquele ano foi entregue ali mesmo, no estádio, a Garrincha. Mané foi carregado aos ombros pelos torcedores numa volta olímpica.

 

O Botafogo é o único clube brasileiro que tem uma camisa imortalizada no Museu Internacional do Futebol. É a gloriosa camisa 7, usada por Mané Garrincha.